22.6 C
Belo Horizonte
03/30/2020
SMR Advogados

Documentos do Senado registram reação ao suicídio de Getúlio Vargas

Getúlio Dornelles Vargas (Getúlio Vargas), ex presidente do Brasil, nasceu em 19 de abril de 1882, São Borja, Rio Grande do Sul, foi advogado, militar e político brasileiro, líder da Revolução de 1930, que pôs fim à República Velha, depondo seu 13.º e último presidente, Washington Luís, e impedindo a posse do presidente eleito em 1.º de março de 1930, Júlio Prestes. Foi presidente do Brasil em dois períodos. Getúlio Vargas formou na Universidade Federal do Rio Grande do Sul – Campus Centro (1907), e faleceu em 24 de agosto de 1954, Palácio do Catete, Rio de Janeiro.

 

Em quase 19 anos como presidente, Getúlio Vargas nunca havia sido atingido por ataques tão pesados quanto os desferidos em agosto de 1954. A exigência de que renunciasse ecoava no Congresso Nacional, nas Forças Armadas, na imprensa e na sociedade. Da tribuna do Palácio Monroe, a sede do Senado, no Rio de Janeiro, o senador Othon Mader (UDN-PR) bradou:

— O senhor Getúlio Vargas domina o Brasil há anos. Se nada fez pela pátria até agora, o que mais poderá realizar em um ano e poucos meses que lhe restam de mandato? É hoje apenas o presidente nominal. Compactua com todos os abusos e já não exerce o poder. A opinião nacional reclama o afastamento como condição para reingressarmos num regime de segurança. O senhor Getúlio Vargas praticaria um ato de patriotismo se atendesse ao apelo da nação.

O senador não previa que a crise chegaria ao fim dias depois nem que seria de forma tão brusca e dramática. Vargas não renunciou. Na manhã de 24 de agosto, ainda vestindo pijama, deu um tiro no coração.

O Arquivo do Senado guarda os discursos feitos pelos senadores naquele agosto. As falas permitem entender, pelo prisma do Senado, um dos episódios mais surpreendentes da história nacional.

O governo estava em crise, por causa de denúncias de corrupção, mas perderia de vez as rédeas da situação com o atentado da Rua Tonelero. Na madrugada de 5 de agosto, o jornalista Carlos Lacerda saía de casa, em Copacabana, quando foi surpreendido por um atirador. Dono do jornal Tribuna da Imprensa, ele era o mais virulento crítico de Vargas. Lacerda escapou vivo, mas o major da Aeronáutica que o acompanhava levou um tiro mortal. Uma investigação concluiu que a emboscada fora tramada por Gregório Fortunato, o chefe da equipe de segurança de Vargas.

Apoio ao golpe

Desde o atentado, não houve dia em que senadores não tenham subido à tribuna para exigir a renúncia. Bernardes Filho (PR-MG) argumentou que, tendo o crime respingado no presidente, só lhe restaria seguir o exemplo de dom Pedro I e do marechal Deodoro e deixar o poder:

— A responsabilidade pela emboscada da Rua Tonelero não para no pavimento térreo do Palácio do Catete, de onde partiram os empreiteiros para a execução do crime. Ela sobe ao segundo andar e envolve indiretamente o senhor Getúlio Vargas. Infelizmente, a Constituição e a lei não previram punição para o presidente que acoitasse um bando de homicidas nos quartos baixos do palácio.

Em razão da morte do major, as Forças Armadas entraram com tudo na campanha pela renúncia. Os políticos da oposição davam a entender que, se Vargas ignorasse as pressões, apoiariam os militares num golpe para tirá-lo do Catete à força. O senador Hamilton Nogueira (UDN-DF) discursou:

— O senhor Getúlio Vargas quer ensanguentar o Brasil. Às classes armadas está dado o poder de trazer a tranquilidade ao país. A Aeronáutica já demonstrou seu ponto de vista. A Marinha está solidária com a Aeronáutica. O Exército está de acordo com ambas, que representam a opinião do povo. As Forças Armadas saberão cumprir seu dever.

Até o vice-presidente da República mudou de lado. Café Filho — que, por ser vice, era também presidente do Senado, como mandava a Constituição — usou os microfones do Palácio Monroe para anunciar que havia proposto a Getúlio Vargas a renúncia de ambos. Havendo a dupla renúncia, o Congresso elegeria o sucessor para terminar o mandato.

— Era uma solução que colocaria os interesses nacionais acima de quaisquer sentimentos pessoais ou partidários. Sua Excelência [Vargas] disse que precisava pensar e prometeu-me uma decisão, que ontem me foi transmitida de modo negativo — contou o vice, na véspera do suicídio.

A 145 anos o Brasil abolia a pena de morte

Oposição assustada

Diante dos ataques incessantes, os senadores governistas se apequenaram. Eles simplesmente não conseguiam responder à altura. O senador Gomes de Oliveira (PTB-SC) tentou argumentar que a morte do major havia sido um “incidente pessoal”, e não uma agressão aos militares, e que as eleições estavam próximas:

— Achamo-nos às vésperas de uma eleição, que no próximo ano renovará o Poder Executivo, e não temos paciência de esperar. Em vez disso, queremos logo que as Forças Armadas, chamadas a resolver o incidente, levem o país à desordem e às armas.

Na manhã do dia 24, a notícia do suicídio se espalhou pelo país. Os brasileiros se inteiraram pelo rádio, atônitos. O senador governista Dario Cardoso (PSD -GO) afirmou:

— Indescritíveis são o meu pesar e a minha perturbação ante o ocorrido, em cuja realidade ainda custo a crer. Getúlio Vargas foi indiscutivelmente um dos mais eminentes homens públicos do Brasil e das Américas.

O senador Alencastro Guimarães (PTB-DF) disparou contra os inimigos de Vargas:

— A campanha destes últimos meses contra a pessoa do senhor Getúlio Vargas excedeu todos os limites que neste país alguma vez se permitiram. Morre o senhor Getúlio Vargas. Não morre pela própria mão, mas assassinado pela covardia daqueles que não puderam vencê-lo no coração do povo brasileiro.

Assustados, os adversários adotaram um tom mais diplomático. Entre eles, o senador Ferreira de Sousa (UDN-RN), que se disse consternado:

— O momento é de reverência diante da eternidade, de silêncio à borda do túmulo. Não vale fazer discussões em torno de pessoas, de fatos. Por um instante, cessam as divergências, calam-se os argumentos, suspendem-se os dissídios e não se pronuncia palavra de crítica.

O corpo foi velado no Palácio do Catete. Milhares de pessoas fizeram fila para despedir-se do presidente. Depois, num emocionado cortejo, acompanharam o caixão até o Aeroporto Santos Dumont. Vargas foi enterrado em São Borja (RS), sua cidade natal. Café Filho afastou-se do Senado e assumiu a Presidência da República.

— O julgamento de Getúlio Vargas pertence à história, que saberá fazer justiça — disse, dias depois, o senador Attilio Vivacqua (PR-ES).

Fonte: Agência Senado

ETIQUETA:

Getúlio Vargas, Senado Federal
Ruy Barbosa usou tribuna do Senado para mostrar ao país importância da democracia, Golpe
Contexto histórico: filosofia ocidental associa o conceito de república à democracia
Sumário
Documentos do Senado registram reação ao suicídio de Getúlio Vargas
Nome do artigo
Documentos do Senado registram reação ao suicídio de Getúlio Vargas
Descrição
Em quase 19 anos como presidente, Getúlio Vargas nunca havia sido atingido por ataques tão pesados quanto os desferidos em agosto de 1954. A exigência de que renunciasse ecoava no Congresso Nacional, nas Forças Armadas, na imprensa e na sociedade. Da tribuna do Palácio Monroe, a sede do Senado, no Rio de Janeiro, o senador Othon Mader (UDN-PR) bradou:
Autor
Nome do editor
SMR Advogados
Logotipo da editora

Estatuto do Advogado lei 8.906 de julho de 1994 direitos e deveres

Sinval M. Rodrigues

Em 1967, FGTS substituiu estabilidade no emprego- Arquivo Senado

Sinval M Rodrigues

O que você precisa entender antes de optar pelo Juizado Especial

Sinval M. Rodrigues
SMR Advocacia.
Este site está de acordo com a Lei de dados do Brasil LGPDP - Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais, Lei nº 13.709/2018, e da união Europeia RGPD) (UE) 2016/679.

Este site usa cookies para funcionar com as informações pesquisadas. Aceitar Leia mais

Política de Privacidade & Cookies